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Mostrando postagens de 2007

POR ONDE ANDAS, DONA ESCOLÁSTICA? - BIOGRAFIA DE OLÍMPIO GONZAGA

Olympio Gonzaga (1877-1948) foi, sem dúvida, o precursor da historiografia paracatuense e, inegavelmente, teve importância fundamental na sua consolidação, tornando-se o principal historiador de Paracatu em seu tempo. Autodidata em História, não se preocupou com a estruturação e contextualização de suas obras, escrevendo de forma simples o que encontrou em suas pesquisas. Tudo começou, segundo ele, no ano de 1900, quando certo padre José Vieira da Silva jogou fora no largo da Matriz todo o arquivo da igreja, tendo ele recolhido três carradas (sic) à prefeitura municipal. Foi nesta fonte preciosa que teve inspiração para vários trabalhos históricos, debruçado sobre pilhas de documentos envelhecidos e carunchados, por falta de conservação. Um parêntese: nos dias atuais, a Diocese de Paracatu continua indiferente quanto à preservação e catalogação dos documentos ainda lá existentes, que se encontram totalmente desorganizados, o que é condenável. Em 1910, publica seu principal livro - Mem…

A VILA DE PARACATU NA VISÃO DE UM VIAJANTE ESTRANGEIRO

Aproveitando o ensejo por ocasião do aniversário de Paracatu neste mês de outubro, estabelecido oficialmente a partir da data de sua elevação à vila em 1799, através de Alvará de Rainha Dona Maria I, de Portugal, veremos como era a vila nas primeiras décadas do século dezenove, sob o olhar arguto de um observador estrangeiro daquele tempo. Auguste de Saint – Hilaire (1799 – 1853) notável naturalista e botânico francês que viajou pelo Brasil entre 1816 e 1822, reuniu durante suas viagens um riquíssimo acervo de dados referentes à História Natural, realizando inúmeras pesquisas de interesse para a Geografia, a História e a Etnografia. Esteve na Vila de Paracatu do Príncipe em maio de 1819, onde permaneceu por cerca de duas semanas. Observador arguto que era não deixou de fazer suas anotações sobre a vila e que transcrevemos alguns trechos ilustrativos sobre suas peculiaridades à época de sua estada no lugar. Diz ele “A cidade de Paracatu ocupa apenas uma parte mínima do planalto sobre o q…

O MISTERIOSO DR. PARACATU - PARTE II

No artigo “Almanaque Paracatuense”, escrito e enviado em abril deste ano (vide em arquivos), fizemos um resumo da história do misterioso Dr. Paracatu e a morte do Dr. Cláudio Manoel da Costa, ao ser encontrado enforcado, a 4 de junho de 1789 na prisão a que fora recolhido, como partícipe da Inconfidência Mineira. Na ocasião ele fora examinado por dois cirurgiões, Caetano José Cardoso e Manoel Fernandes Santiago, e sabia-se que um deles tinha o apelido de Paracatu, e que, justamente este, confidenciara a um amigo a notícia de que o Dr. Cláudio fora assassinado e não suicidara, como rezava o auto de corpo de delito. Perguntávamos à época, qual deles seria o Dr. Paracatu e qual a relação que teria com o então Arraial de São Luiz e Santana de Paracatu. Pois bem, fomos encontrar a resposta nos “Anais da Biblioteca Nacional, ano1943, vol. 65, págs.183 e seguintes, em artigo sobre a Inconfidência mineira”.Lá, constatamos que o Dr. Paracatu era na verdade o cirurgião Caetano José Cardoso, de …

OS IMPOSTOS NA PARACATU COLONIAL

Ontem como hoje, a voracidade do estado para arrecadar cada vez mais com o objetivo de cobrir suas despesas perdulárias, tributando o setor produtivo e os cidadãos com uma parafernália de impostos e taxas, criando um modelo que nenhum governante brasileiro conseguiu ou não quis modificar, superalimentando o estado à custa de quem trabalha. No Brasil colônia, também a criatividade para arrecadar não furtava a regra. Na época já existiam as contribuições voluntárias, como por exemplo, para pagar o dote das princesas na ocasião de seus casamentos; o subsídio, dito literário, para remunerar os professores e o custeio do ensino público, que incidia sobre a carne e a aguardente. Essa arrecadação era precária, assim como o salário dos professores, que ficavam muito tempo sem receber e eram muito baixos; o dízimo, cuja taxação era de 10% sobre os bens das pessoas e também sobre a produção, e que era a maior fonte de renda da Coroa portuguesa. Também havia o quinto, que taxava em 20% de toda a…

DONA BEJA E OS BOTELHOS DE PARACATU

Por José Aluísio Botelho

Muito se tem falado no âmbito familiar e fora dele, acerca de possível parentesco consanguíneo ou por afinidade entre Dona Beja e a família Botelho de Paracatu, ao longo de décadas. Essa dúvida, real ou proposital trazida pelos mais velhos, receosos da veracidade do parentesco com a mitológica personagem da história de Araxá, e que levou um dos nossos velhos tios, já falecido, a dizer peremptoriamente certa vez: “Eu não sou parente de uma cortesã”, persiste até os dias atuais.
Ana Jacinta de São José, a mitológica Dona Beja, nasceu em Formiga, Minas Gerais, por volta de 1800, filha natural de Maria Bernarda dos Santos e de pai ignorado. Chegou ao então florescente julgado de São Domingos do Araxá ainda menina, acompanhando a mãe e o irmão Francisco Antônio Rodrigues, talvez à procura de melhores condições de vida, já em princípios deste século dezenove. Segundo alguns historiadores, ela tornou-se uma mulher bonita, de cabelos e olhos claros, que chamava a atençã…

O CAPITÃO-MOR DOMINGOS JOSÉ PIMENTEL BARBOSA

Deixemos Gastão Salazar falar: “Naqueles dias, procedente de São João Del Rei, onde tinha parentes, arribou ao Arraial de São Luiz e Santa Ana das Minas do Paracatu, lá vivendo por dilatados anos, o lusíada Domingos José Pimentel Barbosa”. (1) “Exercendo ali decisiva influência, prestou ele relevantes serviços à comunidade social, no desempenho dos ofícios da república.” “Com destaque, seu nome sempre figurou em todos os atos públicos, antes e depois da instalação da Vila de Paracatu do
Príncipe”. (2)
A verdade é que não sabemos a data exata em que ele “arribou” em Paracatu, vindo da Vila de São Miguel do Prado, Concelho de Vila Verde, distrito de Braga, norte de Portugal, região do Minho. Amealhou grande fortuna já no século XVIII, como podemos constatar através de um recibo de resgate de uma barra de ouro quintado, emitido pela Intendência do ouro de Sabará em 23 de março de 1791, assim descrito: “Apresentou nesta Intendência, Domingos José Pimentel uma guia passada na Intendência Comis…

OUVIDOR FRANCISCO GARCIA ADJUTO

Por José Aluísio Botelho


MAGISTRATURA E POLÍTICA

O Dr. Francisco Garcia Adjuto, Bacharel em Direito Canônico pela Universidade de Coimbra, habilitou-se para os Lugares de Letras, obrigatório para o exercício da Magistratura no Reino Português, em 14 de novembro de 1809 (1). A partir de então exerceu cargos no judiciário de Lisboa no decorrer da década de 1810. Não sabemos a data exata de sua vinda para o Brasil, mas, em 13 de maio de 1821, foi nomeado Ouvidor geral de Vila Rica (Ouro Preto). Contudo, diante das incertezas políticas que antecederam a Independência do Brasil, em 18 de novembro do mesmo ano, ele é suspenso do cargo com as justificativas de “não haver jurado a Constituição e de ter praticado atos anticonstitucionais, bem como se entregado a Escrivães que o dirigiam nos despachos ainda que os mais triviais, e propagava uma doutrina aos seus amigos, que poderia produzir faustíssima consequências na maior parte do povo” (2). No mesmo período ele é apontado como “participando d…

FESTA DE ACLAMAÇÃO DE DOM JOÃO VI EM PARACATU ( 1817)

Ao analisarmos um ofício enviado pela câmara de vereadores de Paracatu ao Governador da Capitania Manuel de Portugal e Castro, comunicando as festividades ocorridas na Vila por ocasião da aclamação de D. João VI, como rei de Portugal, após a morte de sua mãe D. Maria I, em abril de 1817, deparamos com elementos preciosos para compreendermos a sociedade colonial local da época, através de suas manifestações culturais, religiosas e profanas. A notícia chegou à Vila em 20 de dezembro de 1816, porém os festejos só foram realizados entre os dias quatro e dezesseis de abril de 1817, pois as festas duraram doze dias ininterruptos. A boa nova foi anunciada “tão logo se patenteou o ofício”, “procedeu-se a publicar a faustíssima notícia da aclamação Régia de Nosso Augustíssimo e Amabilíssimo Soberano que se havia celebrar no dia designado”, por meio de um bando (aviso) lançado ao som de “caixas e instrumentos militares”. “Uma guarda Miliciana puxada por um Tenente, e vários oficiais inferiores co…

GENERAL ARMANDO CAVALCANTI - COSTADOS PARACATUENSES

UM DOS GRANDES DA MPB
Armando Cavalcanti de Albuquerque desde a infância mostrou interesse pela música, mas, talvez influenciado pelo pai, seguiu a carreira militar e foi reformado como General. Considerado um dos expoentes do grupo dos capitães da música popular brasileira, jovens oficiais do Exército nos anos de 1950 e 60 dedicados à MPB. Na década de 1940, começa sua carreira musical e em parceria com Klécius Caldas cria canções de grande sucesso na época e também nas décadas seguintes. A maioria de suas composições foi em parceria com Klécius Caldas, sendo que a primeira “O velho bar”, foi lançada por Francisco Alves e gravada por Helena de Lima. De sua vasta obra musical, seus maiores sucessos foram a canção “Feliz natal” e as marchas “Maria candelária”; “Maria escandalosa”; “A lua é dos namorados”; “A lua é camarada”; “Cigarro de paia”; “Boiadeiro”; “Máscara da face”; “Piada de salão” e “Somos dois”. Gravaram suas canções, dentre outros, Francisco Alves, Dick Farney, Helena de Lim…

COMENDADOR JOAQUIM PIMENTEL BARBOSA

Esquecido pelos historiadores oficiais de Paracatu, Olímpio Gonzaga e Oliveira Mello, Joaquim Pimentel Barbosa foi figura de proa na vida político – administrativa e social na então florescente Vila de Paracatu do Príncipe. Já na década de 1820 ele aparece atuando politicamente na vila e em 1827 é agraciado por Alvará assinado pelo Imperador D. Pedro I, com a comenda da Ordem de Cristo (1). Em 1833, ocupando o cargo de Juiz de Paz, tem papel fundamental na repressão ao movimento liberal restaurador em oposição ao poder central, na vigência da Regência Trina, que pode ser evidenciado nas cartas oficiais trocadas entre ele, o comandante da Guarda Nacional da vila, Teodoro Caetano de Moraes e o Ouvidor Quintiliano José da Silva, favoráveis à manutenção da ordem constitucional então vigente (2). Coronel chefe de legião da Guarda Nacional.
Com a criação das Assembleias Provinciais, ele é eleito, juntamente com seu correligionário Dr. Antônio da Costa Pinto, deputado à primeira legislatura …

ALMANAQUE PARACATUENSE

O MISTERIOSO DR. PARACATU – Em companhia de el-rei D. João VI emigrou para o Brasil um ilustre e velho fidalgo português, morgado de Sá, chamado Francisco Joaquim Moreira de Sá. Esse fidalgo tinha uma grande fazenda em Minas, no lugar intitulado Santo Antônio do Rio Abaixo.
Uma vez chegado ao Brasil, em vez de, como muitos outros, constituir-se pensionista do rei, tratou de retirar – se para lá. Era muito influente no Paço, parente de Ministro e foi altamente recomendado para Minas. Em conseqüência disso, sua casa tornou – se o ponto de reunião da elite da sociedade mineira de então. Um dos que mais a freqüentavam era um cirurgião conhecido pela alcunha de “Paracatu”. Todos o supunham brasileiro nato, mas nascera em Portugal. Quando o Dr. Cláudio Manoel da Costa, poeta e inconfidente apareceu morto na prisão, foi incumbido de realizar o corpo de delito. Fê-lo conscientemente, declarando que o morto não tinha suicidado, e sim havia sido assassinado. No dia seguinte foi procurado pelo aj…

OS ULHÔAS DE PARACATU E OS CRISTÃOS NOVOS

Por José Aluísio Botelho


INTRODUÇÃO - O sobrenome Ulhoa inicia em Paracatu, quando da chegada no último quartel do século dezoito, do então jovem militar de baixa patente Sancho Lopes de Ulhoa para servir no batalhão de caçadores do regimento de infantaria de milícias da jovem vila que florescia no noroeste mineiro. Lá, progrediu na hierarquia militar, alcançando a patente de tenente coronel; fixou-se no distrito do Rio Preto (atual Unaí), edificou sua fazenda das Lages,  aonde criou seus filhos. Um deles, Antônio Constantino Lopes de Ulhoa tornou-se genro de um dos principais da Vila, o Capitão - Mor Domingos José Pimentel Barbosa, ao casar com uma de suas filhas, Ana Pimentel Barbosa, originando o tronco dos Pimentéis de Ulhoa. Em 1824, suas assinaturas, pai e filho,  aparecem no auto de juramento da primeira Constituição do Império do Brasil ocorrido em Paracatu, denotando a inserção do sobrenome Ulhoa na elite da sociedade paracatuense de então. De outra filha, Mariana Lopes de Ulh…